A meta ilusória da religião

 

Religião

 

Toda religião moralista (dualista) se origina no intelecto dual, através dos conceitos intelectuais opostos. Sua finalidade é alcançar presunçosamente a “perfeição”, como se a Perfeição não existisse.

A “sabedoria” intelectual abstrata pretende saber mais que a Sabedoria da Vida real. Contudo, somente quando transcendemos a mente dualista limitada constatamos a Perfeição aqui e agora, além das aparências ilusórias.

O homem é, antes de tudo, um animal que julga. (Nietzsche)

A “perfeição”, ou a harmonia interior, não é algo que se alcança nem algo que se perde. É a nossa própria Vida. Não precisamos almejar a perfeição, porque a imperfeição não existe. A imperfeição é apenas uma ideia da mente que mente, inclusive a perfeição também. O “problema” está no rótulo, na palavra, na nomeação e discriminação. A Vida é o que é somente.

Ao experimentar a Harmonia que já existe dentro de nós, não precisamos mais alcançar depois, longe nem perto. Então, acaba-se a busca pela “perfeição” e não há mais necessidade de religião.

Religião é sinônimo de ilusão da mente. Iniciação do labirinto da mente dualista. Um labirinto complexo, apenas teorias intelectuais complicadas, que só “condenam” a humanidade, sem necessidade.

O indivíduo só busca a religião porque ainda se encontra “preso” dentro da mente dual, identificado com os conceitos virtuais opostos. Enquanto isso, a busca não tem fim. Bastaria saber que não somos o corpo, a mente, nem os pensamentos abstratos.

Quando nós acreditamos que somos apenas um corpo, nos sentimos separados, solitários e mal-amados. É muito sutil e quase nunca ocorre em um nível consciente. Isso é chamado de resistência à vida, autopunição ou autossabotagem. Buscamos o amor porque nos sentimos privados, no entanto, quando o encontramos, o sabotamos. Há um sentimento latente de que nós não merecemos o melhor. Essa baixa autoestima é o dilema humano comum. (Burt Harding)

Somos a própria Vida real e atemporal, que se encontra identificada com a forma, com o corpo e a mente. Ao “sair” desta pobreza, ao mudar o foco, estamos livres. Desaparecem as preocupações, insegurança, carências, ansiedade, estresse, etc. Embora, restem alguns desafios a serem superados, até estarmos prontos. Algo como Eckhart Tolle e Aurobindo experimentaram, entre outros indivíduos. O que eu chamo de “a prova de Jó”.

Não há nada nem ninguém superior a você. Essencialmente, somos uma mesma parte da Unidade. Basta experimentar na prática, “saindo” da dualidade da mente. Desapegando-se da aparência de seu corpo físico, efêmero e provisório. Abandonando o apego às coisas materiais e pessoais.

Desapegar-se não significa exatamente abrir mão. Não generalizemos. É preciso apenas parar de sonhar acordado, com um mundo “ideal”, e viver focado aqui e agora, sem esperar algo a mais. Porque tudo já está dentro de nós. Somos completos!

Na Caixa de Pandora, restou apenas a esperança, a hipnose que mantém o indivíduo “preso” indefinidamente na prisão da mente virtual. Esperando algo imaginário, sonhando acordado.

Deixar de sonhar acordado com algo a mais é o que chamam de gratidão. Muitos apenas verbalizam e nunca experimentam. Almejar algo além de nós, além de ingratidão, é também hipocrisia, o oposto do que é ensinado. Experimente se for possível e veja qual é a diferença.

Nada quereis superior às vossas forças: adoecem de deplorável hipocrisia os que querem coisas superiores às suas forças. (Nietzsche)

Eu me refiro ao termo “esperança” no sentido de fantasia mental, ansiedade e preocupações. Não me refiro à qualidade da espera paciente, ou confiança interior. Não confunda.

Ao contrário do que muitos “entendem”, a capacidade da curiosidade de explorar tudo, com a mente flexível, é onde está a solução.

É a investigação que nos leva a descobrir que a expectativa nos mantém “presos” na mente virtual, a espera por um futuro imaginário que não tem fim. Isso gera a compulsividade sem limites e a ansiedade.

A abstração mental, a esperança fantasiosa nos tiram da realidade do agora atemporal, e nos mantêm no devaneio da mente, negligenciado a realidade.

Quem não tem gratidão não tem caráter. (Mestre Ariévlis)

Só há felicidade se não exigirmos nada do amanhã e aceitarmos do hoje, com gratidão, o que nos trouxer. A hora mágica chega sempre. (Hermann Hesse)

A hora mágica a que Hermann Hesse se refere é o que outros chamam de fluidez, graça, etc. Ela só ocorre quando soltamos, abrimos mão do apego material, e paramos de sonhar com o futuro imaginário e focamos a realidade do agora, o que significa a verdadeira gratidão. Não aquela gratidão apenas verbalizada e hipócrita.

No entanto, quando a pessoa ainda não está pronta, ela não suporta essa abordagem. Ou seja, ignora e finge que não leu nem ouviu. Acontece com a maioria das pessoas. É um processo. Às vezes, pensamos que já conseguimos e nada. A mente nos sabota novamente. Aderimos de novo às suas promessas mentirosas, ao sonho da mente que mente.

De repente, embarcamos na sugestão hipnótica da mente, em sua promessa de riqueza e glória, por exemplo, e ficamos até “otimistas”. Porém, logo em seguida, após constatar o engano, ficamos frustrados e deprimidos.

Isso se repete sempre e indefinidamente, até mudarmos o foco, soltarmos e confiarmos na providência interior. É uma experiência que poucos conseguem executar.

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