Inversão dos textos bíblicos

 

Textos bíblicos

 

Para detectar as inversões que fizeram nos textos bíblicos, no passado, é necessário certo grau de lucidez e percepção. Além do mais, é preciso priorizar a verdade e a justiça. Do contrário, é simplesmente impossível.

Logo após o encontro de Melquisedeque com Abraão, descrito no capítulo 14, versículos 18 e 24, do livro do Gênesis, inseriram logo em seguida, no capítulo 15, versículos 17 e 18, o concerto que o “Senhor” (“deus” de Moisés) fez com Abraão. Contudo, não deveria estar após o capítulo 14, porém antes dele. Inverteram o conteúdo.

Essa inversão convenceu até a mim no passado. Isso acontece com todo mundo que lê a Bíblia, porque não resta alternativa para a mente linear. Ela, obrigatoriamente, aceita.

Por exemplo, no conteúdo de Gênesis 14:18-24, que se refere ao encontro de Melquisedeque com Abraão e a sua conversão, acrescentaram dois versículos, o 19 e o 20, os quais exaltam o “deus” anterior de Abraão, que era o “deus” de Moisés, e ainda insistiram no dízimo da oferta dos roubos através das guerras. Algo que Abraão tinha deixado de praticar.

Havia uma máfia religiosa, infiltrada em toda a sociedade, com interesses afins, até na época de Jesus. E hoje, como será?

Eu sugiro, por gentileza, que não interprete minhas palavras como “teoria da conspiração”. Eu nunca estudei esse tema, devido à palavra “teoria”. Para mim, a verdade basta. Vi um ou dois textos sobre o assunto na internet, mas nunca me interessei.

Eu sei que a teoria da conspiração contém verdades polêmicas e também equívocos intelectuais. Mas, por preconceito, eu ignorei, devido à palavra “teoria”. Embora haja de fato muita teoria e fanatismo a respeito do assunto.

Na realidade, o dízimo precisava continuar, porque era uma maneira eficiente de ganhar dinheiro fácil, explorando o povo ingênuo e ignorante.

Para se obter tal êxito, era imprescindível manter a mesma crença religiosa do passado, ocultando o que aconteceu com Abraão. Do contrário, as pessoas sensatas não mais acreditariam em algo sem fundamento.

Como vos acho pobres de vida, quando achais que a economia é a virtude por excelência! (Nietzsche)

A falsificação dos textos antigos trata-se da arte habilidosa de escrever dos escribas, fariseus religiosos e interesseiros, como confirmaram Jesus e Flávio Josefo:

Ai de vós, doutores da lei, que tirastes a chave da ciência! Vós mesmos não entrastes e impedistes os que entravam [no Reino dos céus]. (Lucas 11:52)

Os fariseus impuseram ao povo muitas leis provenientes da tradição dos Antigos, que não estavam escritas na Lei de Moisés. (Flávio Josefo, Antiguidades judaicas, XIII, 10,6)

O “Reino dos céus” a que o vocabulário antigo se refere, conforme complementa o Evangelho de Mateus 23:13, diz respeito a nossa realidade interior, quem realmente somos essencialmente. Não significa um local à parte de nós, como muitos entendem, porém, uma dimensão interior.

Jesus havia dito que o conteúdo que liberta o indivíduo da ignorância sobre si mesmo foi retirado da Bíblia. Ou seja, ele não era, de fato, o único “salvador”. Houve outros como ele, que eram capazes de esclarecer e libertar o indivíduo da ignorância, sobre a sua verdadeira Identidade multidimensional e atemporal.

Um único “salvador” é a mesma ideia do monoteísmo arcaico, que não serve para nada, senão para criar discórdias e conflitos.

Como a maioria dos escribas (escritores) eram fariseus, eles escreviam com afinco, para conseguir o que pretendiam. Era o ofício deles e uma maneira extra de faturar. Além, também, das ordens que recebiam dos “superiores” da Elite hierárquica.

Como, pois, dizeis: Nós somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Eis que em vão tem trabalhado a falsa pena dos escribas. Os sábios foram envergonhados, foram espantados e presos; eis que rejeitaram a palavra do Senhor; que sabedoria, pois, teriam? (Jeremias 8:8-9)

É muito raro encontrarmos, na Bíblia, um versículo como este, que revela que os escribas adulteravam a Bíblia. Provavelmente, eles davam um jeito de apagar. A tradução denominou de “pena” o instrumento de escrever que eles utilizavam. Porém, isso não importa muito, importa que falsificavam a Bíblia. Uma realidade que os fanáticos religiosos relutam em aceitar.

Penas que o livro de Jeremias esteja cheio da sombra do suposto “deus” de Moisés. Está tudo misturado.

Os dois versículos exemplificados antes, em Gênesis 14:18-24 (19 e 20), negam o que aconteceu posteriormente, a partir do versículo 22.

Ou seja, antecipavam a negação do que aconteceu, assim, a mente linear superficial e desatenta ignora o que de fato ocorreu. Não dá atenção nem importância e as coisas continuam como antes, do jeito que os manipuladores queriam.

O objetivo era fazer as pessoas acreditarem que não aconteceu nada daquilo que aconteceu. Porém, somente a partir dos versículos 22 a 24 é que Abraão confirma que acabou de se converter a outro “deus”, deixando de fazer tudo o que fazia antes. Logo, está evidente que os dois versículos (19 e 20) foram acrescentados propositalmente, para distrair a atenção dos leitores, para não perceberem o óbvio.

De repente, alguém pode perguntar: “Mas por que não apagaram tudo de uma vez e escreveram de novo?”. Devido a mente linear, limitada. Não tinham capacidade para tanto. Era mais fácil e cômodo aproveitar o que já estava escrito.

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